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Entrevista exclusiva com Bernardo Vital: "Pietuszewski lida bem com a pressão em partidas decisivas"

Entrevista exclusiva com Bernardo Vital: "Pietuszewski lida bem com a pressão em partidas decisivas"

Esta sua primeira época no Jagiellonia, na Polónia, está a atender ao que esperava?

Eu não conhecia nada sobre o futebol polaco, aceitei o convite pelo plano que me mostraram e pela chance de disputar torneios europeus. Quanto à liga polaca, notei que é bastante disputada, conta com vários atletas talentosos, e nos anos recentes os emblemas investiram bastante em contratações e nos salários. A competição agradou-me bastante, mais do que imaginava.

Esteve várias épocas no Estoril, onde cresceu como jogador e se estabeleceu no profissionalismo. Dá para traçar paralelos entre o Estoril e o Jagiellonia?

Os dois emblemas encontram-se em níveis diferentes, mas identifico várias semelhanças interessantes. Contamos com um grupo jovem e repleto de potencial, um plano sólido, ótimas infraestruturas no relvado e além dele, e uma equipa técnica que nos apoia em todos os momentos. É um clube ambicioso, que visa posições qualificativas para as provas continentais, mas que simultaneamente nos oferece o espaço para progredirmos enquanto atletas, tanto em campo como na vida pessoal.

O Bernardo Vital tem entrado com frequência, pelo que se pode dizer que a temporada está a decorrer de forma positiva?

Nós, futebolistas, ao mudarmos de equipa, ambicionamos sempre minutos de jogo, e era isso que pretendia ao assinar. As coisas fluem favoravelmente, por sorte. No campeonato, mesmo com alguns tropeços recentes, mantemo-nos na corrida ao pódio, tivemos um percurso sólido na Liga Conferência, e pessoalmente também as coisas vão bem, com a confiança do técnico e do staff, o que é essencial. Em Espanha, no Saragoça, enfrentei obstáculos para exibir todo o meu valor, mas aqui na Polónia consigo demonstrá-lo a nível individual.

Como correu a participação nas provas europeias, na Liga Conferência, com o Jagiellonia a alcançar os playoffs para os oitavos?

Foi uma vivência enriquecedora, serviu para defrontar formações de contextos mais exigentes do que o atual. Resultou em algo muito proveitoso, ao confrontarmos o futebol polaco com os principais campeonatos europeus, verificamos que as equipas locais se aproximam bastante desse nível. Até contra o Rayo Vallecano, a Fiorentina ou o Estrasburgo, conseguimos manter o equilíbrio, e frente à Fiorentina aproximámo-nos de passar a fase. Foi globalmente uma experiência gratificante.

No campeonato polaco, o Jagiellonia ocupa o terceiro posto, próximo do topo. Dá para sonhar com o ceptro?

Reconhecemos que a fase final será árdua, restam oito jornadas. Estamos a três pontos do líder, com quem defrontamos em casa na próxima ronda, e cremos que é viável. Será um trajeto complicado, mas mantemos essa meta, especialmente agora que só nos concentramos na liga, com dedicação total. Acredito que dispomos de argumentos e talento, embora prefiramos não especular sobre o desfecho final, apostando mais em cada partida isolada. Caso vençamos o líder, o Lech Poznan, abrimos todas as portas para os sete jogos restantes.

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"Pietuszewski destaca-se pela coragem, foi o que mais me impressionou"

Partilhou balneário com o Pietuszewski, que agora joga no FC Porto. Quero saber a sua visão, pois foram colegas na primeira parte da época e ele tem causado sensação nos seus primeiros tempos no nosso futebol.

É um atleta dotado de grande habilidade individual, tanto técnica como atlética, um elemento versátil. Com apenas 17 anos, possui enorme potencial de crescimento, pois se já fosse um valor consagrado, o FC Porto não o teria conseguido por esse preço. Ele gerencia a pressão em jogos grandes e em cenários de destaque, assume responsabilidades sem receios, e quando o coletivo falha, pede a bola e não foge ao desafio, o que me cativou mais. Possui notável técnica, e fisicamente, para a sua idade, já está avançado, terminou como um dos nomes em evidência na liga polaca esta temporada, e em Portugal arrancou forte, desejo-lhe sucesso total, o que beneficiará também o futebol polaco, pois assim começarão a valorizar mais este campeonato, repleto de qualidade.

O Pietuszewski tem argumentos para ascender ainda mais no panorama futebolístico global?

Sem dúvida, já se encontra num dos escalões superiores do futebol mundial, o FC Porto é um grande emblema, mas claramente pode progredir mais. Precisa de se impor no FC Porto, mas tem tudo para dar saltos qualitativos no futuro.

E o seu Estoril? Suponho que segue o emblema da sua formação.

O Estoril será sempre um clube único para mim, que procuro acompanhar sempre que posso, e sempre que visito Portugal tento ir ao estádio se houver jogo, ou vejo pela TV quando estou fora. É um emblema pelo qual nutro um afeto enorme. Alegro-me ao ver o plano a avançar, a progredir, o Estoril gerencia bem as coisas, investe nos atletas e nas condições ideais, permitindo-nos concentrarmo-nos no essencial em campo, o que gera frutos a longo prazo.

E o campeonato português, segue-o também?

Sempre, não importa onde jogue, sigo de perto a disputa pelo topo, com o FC Porto a ganhar terreno. Os clubes portugueses prosseguem a sua evolução, com o FC Porto e o SC Braga na Liga Europa e o Sporting na Liga dos Campeões a fazerem figura bonita, e isso, como português, enche-me de orgulho.

No que toca à sua trajetória, ainda jovem com 25 anos, quais as aspirações e metas?

Prefiro centrar-me no agora, procurando melhorar e avançar na carreira, sem excluir opções pois o futebol é imprevisível. Por ora, concentro-me no Jagiellonia, desejo evoluir como atleta e progredir, mas naturalmente regressar ao futebol português é um anseio, embora nada se preveja com certeza. Por exemplo, fui para o Saragoça com vínculo de quatro anos e saí após a primeira, por isso desde então vivo o momento, focando-me no crescimento diário para passos afirmativos.

Pode-se afirmar que vive o auge da sua carreira?

Sinto-me no ponto em que estou mais equilibrado e apto para prosseguir o desenvolvimento. Vejo-me como um jogador em ascensão, corrigindo fraquezas anteriores. Jovem, jogava com desenvoltura e boa visão de jogo, mas defensiva e fisicamente tinha falhas. Hoje sou mais completo, melhorei mentalmente, compreendo melhor o espetáculo, e considero-me melhor preparado.

E o sonho da seleção principal? Ainda o vê como alcançável?

Esse sonho persiste, mas a realidade impõe-se. Por enquanto, dista dessa meta, o que me impulsiona a progredir. A seleção A parece remota, mas espero aproximar-me dela no futuro para um dia a concretizar.

Para concluir, na posição de central, quem são as suas principais influências?

Não sigo um só modelo, prefiro absorver traços dos melhores centrais mundiais. Menciono o Rúben Dias, o Pepe como inspiração, o Van Dijk, o Pau Cubarsi, jovem promissor, e o Upamecano entre outros. Gosto de estudar os grandes jogos para aprender o máximo e evoluir.