Itália e Gattuso pretendem eliminar de forma definitiva os espectros de 2018 e 2022
Quando envergava a camisola do Milan e da Nazionale, poucas situações amedrontavam Gennaro Gattuso.
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Como treinador, o vencedor do Mundial de 2006 exibe um perfil mais equilibrado. Desde que tomou as rédeas da seleção italiana em junho do ano transacto, sucedendo a Luciano Spalletti, ele tem procurado instilar no seu plantel uma combinação de tranquilidade com um desejo voraz de triunfo.
"Uma nação inteira espera por nós, mas temos de conservar a serenidade, manter a atitude certa e demonstrar ao nosso país, e a esta camisola, todo o carinho que lhes dedicamos", esclareceu Gattuso na Vivo Azzurro TV, o canal televisivo da Federação Italiana.
O 'método Gattuso' aparenta estar a surtir efeito: desde a sua nomeação, que provocou substancial desconfiança por causa dos insucessos enquanto técnico de emblemas, a Squadra Azzurra realizou seis jogos e triunfou em cinco.
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Duas quedas perante a Noruega
É certo que os italianos não lograram ultrapassar a Noruega de Erling Haaland, que se apurou diretamente para o Mundial da América do Norte após uma campanha impecável (24 pontos em oito encontros, incluindo duas vitórias sobre Itália: 3 a 0 em casa e 4 a 1 no coração do San Siro), mas a Nazionale ofereceu aos seus adeptos razões para acreditar, ao assinalar 19 golos.
"A nossa fixação deve ser participar neste Mundial, regressar ao patamar que ocupámos durante tantos anos, muitas vezes como figuras centrais", notou Gattuso.
Malgrado a sua distinta colecção de troféus, que inclui quatro Mundiais (1934, 1938, 1982 e 2006), duas Euros (1968 e 2021) e o estatuto de potência mundial incontestável, Itália figura presentemente na 13ª posição do ranking da FIFA.
Desde o seu êxito planetário em Berlim, em 2006, a formação apenas ganhou um jogo de Mundial: um triunfo por 2 a 1 ante Inglaterra, na fase de grupos do certame de 2014, no Brasil, torneio do qual foi apeada após somente três partidas.
Desde aí, a Azzurra falhou as edições na Rússia e no Catar (depois de ter estado presente em todos os Mundiais de 1934 a 2014, exceptuando 1958), tendo sido afastada no playoff em 2017 pela Suécia (1 a 0 em Estocolmo, 0 a 0 no San Siro) e pela Macedónia do Norte em Palermo (1 a 0) em 2022, dois abalos que ainda assombram a selecção italiana.
"Não existem mais partidas simples"
"Não devemos invocar espectros ao primeiro indício de contratempo" no duelo com os norte-irlandeses (que ocupam actualmente a 69ª posição no ranking da FIFA), advertiu Gattuso.
"Contudo, também não devemos incorrer no lapso verificado ante a Macedónia do Norte há quatro anos. No futebol actual, não há duelos fáceis. Qualquer oponente nos pode complicar a existência. O essencial é saber responder e não ruir se ocorrer algo adverso", afirmou 'Rino'.
Os insucessos dos clubes italianos na Liga dos Campeões este ano reavivaram as ansiedades quanto às rondas a eliminar. O Inter de Milão, finalista da Liga dos Campeões em 2023 e 2025, foi eliminado nos oitavos de final pelo modesto Bodo/Glimt, ao passo que a Atalanta sofreu uma humilhação às mãos do Bayern de Munique (6 a 1 na primeira mão e 4 a 1 na segunda).
No entanto, para Gattuso, de 48 anos, isso não o perturba.
Para assinalar o seu regresso ao palco global, ele não alterou radicalmente a Nazionale e, em sua substituição, apoia-se firmemente no mesmo núcleo de atletas dos seus predecessores, Roberto Mancini (2018–23) e Spalletti (2023–25).
Ainda que tenha ponderado reconvocar Marco Verratti, cuja 55ª e derradeira chamada data de junho de 2023, a sua lista para o playoff não contém novidades.
"Contamos com atletas ambiciosos, jovens prontos para qualquer renúncia", referiu ele, como se descrevesse o Gattuso futebolista.
Numa conferência de imprensa esta quarta-feira, Mateo Retegui, o avançado nascido na Argentina com dupla nacionalidade italiana, disse estar ciente da relevância do jogo em Bérgamo, onde jogou pela Atalanta na época 2024–25.
"Falámos da importância de preservar a compostura e a concentração, de não nos prendermos excessivamente ao pretérito", declarou. "Reconhecemos que só há um desfecho viável e é o êxito", rematou.